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Edição 12 - 15 de Abril de 2009 - Publicação Quinzenal

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Frei Betto Do mundo virtual ao espiritual

O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento consumista. Assim, pode-se viver melhor.

Yoga Yoga: a conquista da saúde plena

Na busca pela saúde, nem sempre lembramos de um ponto crucial: nosso equilíbrio energético. Para ajudar a sair do piloto automático e a viver melhor, o yoga é um grande aliado.

Composteira série

Numa ponta, temos o lixo orgânico gerado na cozinha e no jardim. Na outra, plantas que precisam de terra e adubo para crescer. Para ligar as duas pontas, basta fazer uma composteira.

Cultura
8a Mostra do Filme Livre


MFL Focada em filmes realizados sem recursos públicos, a Mostra do Filme Livre é o principal evento nacional para a difusão da produção independente, exibindo obras experimentais que fujam da narrativa tradicional, em todos os formatos e feitas em qualquer época.

Outros eventos:

Curso: Manejo e Conservação de Espécies
Palestra: Imunidade Emocional
Gastronomia: Delírio Tropical

Loja
Coluna Informando
degelo Plataforma de gelo oito vezes maior que a cidade de São Paulo se descola da Antártida

Foi a crônica de uma morte anunciada. Um satélite europeu flagrou no fim de semana o rompimento da ponte que prendia uma plataforma de gelo no oeste da Antártida. Cortesia do aquecimento global.
Marie-Monique Robin Entrevista com Marie-Monique Robin: O mundo segundo a Monsanto

Pesquisadora francesa apresenta seu novo livro e fala sobre o poder da maior multinacional de sementes: corrupção de governos, produção de armas químicas e controle de alimentos em nível global.
valores Ensinando valores às crianças

Para estimular nos pequenos qualidades como respeito e generosidade, é necessário que palavra e atitude estejam em conformidade com a verdadeira intenção dos pais, pois o aprendizado se dá também através do que é observado.
linhaça Linhaça é super

Estudos mostram que a semente do linho é capaz de impedir o crescimento do câncer de mama. Mas existem macetes na hora do consumo que você precisa conhecer para tirar o melhor proveito desse superalimento.
livros no sinal Belo Exemplo: Vale mais que um trocado

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Um jovem resolve dar livros a quem lhe aborda e se emociona com as reações.
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Frei BettoDo mundo virtual ao espiritual

Por Frei Betto*

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?" Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde". Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde". "Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta coisa?", perguntei. "Aulas de inglês, de pintura, piscina", e começou a dizer seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: Tenho aula de meditação!"

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso, as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!" Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega Aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo tão virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.

A palavra hoje é "entretenimento"; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá. O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's.

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."

*Frei Betto é frade dominicano, escritor e assessor de movimentos sociais. É autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de 'O desafio Ético' (Garamond), entre outros livros.
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yoga Yoga: a conquista da saúde plena

Na busca pela saúde, nem sempre lembramos de um ponto crucial: nosso equilíbrio energético. Engolidos pelo estresse, não percebemos quantos problemas poderiam ser evitados se nos dedicássemos um pouco à meditação e ao mergulho interior. Para ajudar a sair do piloto automático e a viver melhor, o yoga é um grande aliado.

Essa arte milenar, que vai muito além dos exercícios físicos, tem como meta alcançar a transcendência, a percepção de que nosso corpo e todas as coisas são manifestações transitórias de uma consciência maior, além de equilibrar o fluxo de energia do organismo e voltar a percepção para o nosso interior. Com esta proposta profunda, inúmeros são os benefícios que podemos alcançar: físicos, emocionais, energéticos, sociais e espirituais, ou seja: um caminho de saúde integral.

De acordo com o yoga clássico, o meio mais fácil para alcançar a consciência plena é partir dos aspectos visíveis e palpáveis, como o corpo, em direção aos mais sutis, como a respiração e a mente. Por isso, existem as técnicas que nos ajudam a desenvolver mais consciência corporal. A idéia é que o praticante passe a perceber a conexão que existe entre corpo e mente, descobrindo que as posturas, chamadas ásanas, provocam um efeito nas nossas emoções e no fluxo de pensamentos. Com o refinamento dessa percepção, o praticante é levado a entender o inverso: nossos estados mentais influenciam a saúde do corpo.

Os benefícios das posturas corretas já foram cientificamente comprovados. Pesquisas quanto aos efeitos do yoga na saúde foram realizadas em diversas instituições norte-americanas, européias e indianas.

Um estudo recente publicado pela Universidade de Boston comprovou cientificamente que o yoga é também um importante aliado no tratamento da ansiedade e da depressão. Os ásanas, que unem alongamento e meditação, agem diretamente no sistema nervoso central, trazendo calma e relaxamento. Os cientistas relacionaram a prática ao aumento no cérebro dos níveis do ácido gama-aminobutírico, ou GABA, na sigla em inglês, um neurotransmissor que diminui os estímulos nervosos e relaxa as células na massa cinzenta - e encontrado em baixa quantidade em pessoas com depressão. Pesquisas anteriores já davam conta de que o yoga eleva os níveis de serotonina, outro neurotransmissor que também cai em pessoas deprimidas.

Além das posturas, o yoga ensina exercícios respiratórios, chamados pranayamas - ou controle da energia vital, o prana. O praticante começa a perceber que o nível respiratório está intrinsicamente relacionado com os estados mentais. Se a respiração está superficial, agitada, essas serão as características do fluxo mental. Tranqüilizando a respiração e meditando, nos acalmamos, ficamos mais concentrados e conseguimos encontrar saídas para problemas que antes pareciam insolúveis, além de estimularmos a criatividade, já que a criação só acontece quando estamos livres de julgamentos.

Existe uma multiplicidade de caminhos para a prática do yoga, e encontrar a linha que se ajusta a seu perfil só é possível com a experimentação e a busca de informações. O importante é compreender que o yoga é uma prática completa e eficaz para manter a harmonia física e o equilíbrio psíquico, contribuindo para levarmos uma vida com mais saúde, felicidade e auto-realização.

>> Saiba mais sobre o yoga

>> Aprenda algumas posturas terapêuticas

>> Conheça o trabalho do Professor Hermógenes

>> Confira o DVD da palestra realizada pelo Professor Hermógenes no Projeto Vibração Positiva

>> Você pratica yoga? Compartilhe sua experiência em nossa comunidade no Orkut

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série A Newsletter Essência Vital iniciou, na quinta edição, uma série de matérias que vão lhe ajudar a se tornar uma pessoa mais sustentável. São dez hábitos simples que você pode incorporar ao dia-a-dia e que vão impactar positivamente sua relação com o planeta, afinal, a mudança do mundo começa em nós. Vamos então ao próximo passo:

composteira 8º hábito: Fazer uma composteira

Na 11ª edição da nossa newsletter, você aprendeu a separar adequadamente o lixo sólido para a reciclagem. E o que fazer com os resíduos orgânicos? Jogar no lixo simplesmente? Não: fazer uma composteira.

Numa ponta, temos o lixo orgânico gerado na cozinha e no jardim. Na outra, plantas que precisam de terra e adubo para crescer. Ora, por que não ligar as duas pontas? Não parece ilógico jogar o lixo orgânico fora e depois ir à floricultura comprar adubo para os vasos que cultivamos em casa? As sobras de comida da cozinha vão para a composteira, onde viram adubo para a horta e voltam à nossa mesa como alimento novamente, fechando um ciclo que não tem começo nem fim.

Aproximadamente metade do nosso lixo caseiro é orgânico. Isso significa que transformar os resíduos úmidos em adubo para as plantas reduz o volume de lixo também pela metade, é claro. Agora, pense nisso em escala. Imagine se a população de São Paulo deixasse de enviar para os aterros sanitários 50% das quase 18 mil toneladas de lixo que produz diariamente. A cidade simplesmente deixaria de gerar cerca de 9 mil toneladas de lixo por dia!

Compostar o lixo em casa é simples. É tão somente criar condições mínimas para que a natureza faça o seu trabalho de decomposição da matéria orgânica. Numa composteira, microorganismos encontram um banquete perfeito para dois ou três meses. O que antes eram cascas de frutas, restos de hortaliças e de comida, folhas do jardim e cascas de ovos, na composteira se transforma em adubo de ótima qualidade.

Como funciona? Terminou de comer ou de preparar a comida, é só jogar os restos na composteira. Existem diversos tipos de composteira e cada um deles atende a uma necessidade diferente. Quem mora em sítio, por exemplo, pode ter uma leira, feita num cercado de madeira, em que os restos vão sendo acumulados nesse espaço, intercalados por camadas de palha ou folhas secas. Mas quem mora em casa ou apartamento também pode compostar. Confira:

Como fazer uma composteira

1. Você pode usar um balde de plástico com tampa, desses que encontramos à venda em lojas de R$ 1,99. O tamanho depende da quantidade de resíduos gerados, mas também da disponibilidade de local que você terá para manter a composteira. O ideal é que o balde fique em um local aberto, como o quintal, ou com boa ventilação, como a área de serviço.

2. Faça vários furos na lateral e no fundo do balde, para garantir que o processo seja aeróbio e permita o trabalho dos microorganismos.

3. Você pode apoiar o balde sobre dois tijolos, de maneira que o chorume (líquido que escorre durante o processo) possa ser coletado num pratinho. O chorume tem cheiro forte, mas também tem sua função. Diluído em água, é um poderoso fertilizante para as plantas.

4. Pronto! Sua composteira já pode ser inaugurada.

Como manter uma composteira

1. Separe muito bem os resíduos orgânicos dos recicláveis, para garantir a qualidade do seu adubo. Acredite: plásticos demoram mesmo para se decompor.

2. Cubra cada camada de resíduos com materiais secos que impedem o mau cheiro. Você pode usar pó de café, serragem, terra, folhas ou cascas de ovos.

3. Mantenha a composteira sempre tampada para não atrair moscas.

4. Quando o balde estiver cheio, deixe o tempo fazer seu trabalho. É hora de aguardar o término da compostagem. Enquanto isso, você pode preparar um outro balde para servir de composteira nesse período.

5. Você saberá que seu adubo está pronto quando ele tiver aspecto de terra úmida, dessas que pisamos quando caminhamos por trilhas na mata. O cheiro deve ser agradável, de mato mesmo. E importante: a terra deve estar fria, indicando que os decompositores já encerraram o trabalho. Durante o processo, você perceberá que a composteira fica quentinha até por fora. Por dentro, a temperatura é alta e, vale dizer, não coloque a mão lá dentro. É quente de verdade!

6. Fim desse ciclo, que pode durar três ou quatro meses, é só distribuir o composto nos vasos e/ou jardim e, claro, dar início a uma nova composteira.

Uma sugestão é começar com uma pequena composteira, em um baldinho, por exemplo. Você também pode colocar alguns tipos de restos de comida no pé das plantas (especialmente cascas de ovo e de castanhas, caroços de azeitonas e outros que dificilmente vão produzir odores desagradáveis).

>> Agora que você já tem uma composteira, aprenda a fazer uma horta em casa. Falta de espaço não é problema

>> Incremente seu adubo orgânico com a minhocultura

>> Conheça um telhado verde feito com a ajuda da compostagem

>> Você já faz compostagem com seu lixo orgânico? Compartilhe em nossa comunidade no Orkut

Com informações de: Gaiatos e Gaianos.
Coluna Informando
degelo Plataforma de gelo oito vezes maior que a cidade de São Paulo se descola da Antártida

Foi a crônica de uma morte anunciada. Um satélite europeu flagrou no fim de semana o rompimento da ponte que prendia uma plataforma de gelo no oeste da Antártida. Cortesia do aquecimento global.

O colapso vinha sendo monitorado em tempo real pelo satélite Envisat, da Agência Espacial Européia, nas últimas semanas. A ponte de gelo, de 40 km de extensão por até 2,5 km de largura, oito vezes maior que a cidade de São Paulo, se esfacelou entre sábado e domingo. "Do dia para a noite a região explodiu com icebergs", disse o glaciologista David Vaughan, do Serviço Antártico britânico, à BBC.

Vaughan e seus colegas acreditavam que esse língua de gelo, que ligava a plataforma à ilha Charcot, fosse a única coisa impedindo a Wilkins de colapsar. No ano passado, os britânicos descobriram que a plataforma já havia perdido cerca de 15% de seus 16.000 km² de extensão original. No final dos anos 1990, Vaughan estimara que a estrutura glacial fosse levar 30 anos para desaparecer.

A plataforma vinha se mantendo estável pelo menos desde os anos 1930 e, possivelmente, ao longo dos últimos 1.500 anos. Sua quebra é apenas o drama mais recente provocado pela elevação das temperaturas da península Antártica, região que tem vivido um aquecimento sem precedentes nos últimos 50 anos - de até 3°C, contra 0,7°C da média global em todo o século 20.

A Wilkins se junta agora às outras cinco plataformas de gelo extintas na península nesse período. A mais famosa delas, a Larsen-B, foi também a primeira a ter seu esfacelamento acompanhado por satélites, em tempo real, em 2002. "A próxima a ir é a Larsen-C, daqui a alguns anos", disse à Folha o glaciologista Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O colapso dessas plataformas - bancos de gelo flutuantes presos ao continente - não tem impacto imediato sobre o nível do mar. No entanto, essas estruturas servem de "barragem" ao escoamento de geleiras continentais, cujo escorregão pode, este sim, elevar o oceano.

Problemas também no Ártico

Graças ao aquecimento global, a Groenlândia está perdendo todo ano gelo suficiente para cobrir a Alemanha inteira com uma camada de um metro de água. As imensas geleiras derretem de forma dramática. Primeiro, a água forma grandes rachaduras e lagos na superfície da plataforma de gelo, que muitas vezes tem quilômetros de altura. A água desses lagos, então, escorre por fendas profundas até a base rochosa da Groenlândia. Ou fogem para outro lago, mais abaixo. O líquido acaba sendo despejado no mar. O processo todo envolve grandes volumes de água. E é assustadoramente rápido.

Um grupo liderado pelo glaciologista Jason Box filmou um lago esvaziando em questão de horas. Em apenas um dia, ele perdeu 42 milhões de litros de água. Box acredita que existem centenas ou milhares de lagos como esses, despejando água do gelo fundido para o mar. A taxa deste derretimento de gelo da Groenlândia está diretamente ligada à elevação do nível dos mares.

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Toque Essencial

Problemas como este, que parecem distantes de nós, na verdade são causados por séculos de exploração predatória e uso inadequado dos recursos ambientais. O planeta está dando sinais de esgotamento que impactam diretamente nossas vidas, como as mudanças climáticas que temos observado. A boa notícia é que, se agirmos tão rápido quando tem reagido a natureza, modificando pequenos hábitos diários, como economizar água, luz, separar o lixo, diminuir e eliminar o consumo de carne, plantar árvores e consumir conscientemente, ainda podemos salvar a Terra. Comecemos já. Não temos mais tempo a perder.

>> Assista ao vídeo que mostra a velocidade alarmente do degelo na Groenlândia

>> Derretimento do gelo nos dois pólos é mais rápido que o previsto

>> Saiba mais sobre o degelo dos pólos

Fonte: Folha Online e REBIA Nacional

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Marie-Monique Robin ENTREVISTA: Marie-Monique Robin, pesquisadora

O mundo segundo a Monsanto

Por Darío Aranda e Michelle Amaral da Silva

Em entrevista ao jornal argentino Página 12, a escritora, jornalista e documentarista francesa Marie-Monique Robin apresenta seu novo livro, "O mundo segundo a Monsanto", fruto de três anos de profundas investigações sobre o poder de influência da multinacional Monsanto sobre governos e o projeto de controle total da produção de alimentos em nível global. Corrupção, produção de armas químicas e controle sobre o que você come são algumas das denúncias feitas pela francesa.

Como define a Monsanto?

A Monsanto é uma empresa deliqüente. E digo porque há provas concretas disso. Foi muitas vezes condenada por suas atividades industriais, por exemplo o caso dos PCB, produto que agora está proibido, mas que segue contaminando o planeta. Durante 50 anos, o PCB esteve nos transformadores de energia. E a Monsanto, que foi condenada por isso, sabia que era um produto muito tóxico, mas escondeu a informação e nunca disse nada. Fez o mesmo com outros dois herbicidas, que formaram o coquetel chamado "agente laranja", utilizado na guerra do Vietnã, também muito tóxico. E mais: manipulou estudos para esconder a relação entre as dioxinas e o câncer. É uma prática recorrente na Monsanto. Muitos dizem que isto é passado, mas não. É uma forma de obter lucros que ainda hoje está vigente. A empresa nunca aceitou seu passado nem aceitou responsabilidades. Sempre tratou de negar tudo. É uma linha de conduta, e hoje acontece o mesmo com os transgênicos e o Roundup.

Quais são as práticas comuns da Monsanto na ordem global?

Ela tem práticas comuns em todos os países onde atua. A Monsanto esconde dados, mente e falsifica estudos sobre seus produtos. Outra particularidade que se repete na Monsanto é a de que cada vez que cientistas independentes tratam de fazer seu trabalho a fundo com os transgênicos, sofrem pressões ou perdem seus trabalhos. Isso também acontece em órgãos dos Estados Unidos como a FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos) ou EPA (Agência de Proteção Ambiental). A Monsanto também é sinônimo de corrupção. Dois exemplos claros e comprovados são a tentativa de suborno no Canadá, que originou uma sessão especial do Senado canadense, quando se tratava a aprovação do hormônio de crescimento leiteiro; e o caso da Indonésia, onde a Monsanto foi condenada porque corrompeu cem altos funcionários para colocar no mercado seu algodão transgênico. Não duvidamos que exista mais casos de corrupção onde a Monsanto é quem corrompe.

Você também afirma que a modalidade de "portas giratórias" é uma prática habitual.

Sem dúvida. Na história da Monsanto, sempre está presente o que nos Estados Unidos se chama de "porta giratória". Um exemplo claro: o texto de regulamentação que regula os transgênicos nos Estados Unidos foi publicado em 1992 pela FDA, a agência norte-americana encarregada da segurança de alimentos e medicamentos. A qual se supõe muito séria - a menos eu pensava isso, antes deste trabalho. Quando diziam que um produto havia sido aprovado pela FDA, eu imaginava que era seguro. Agora sei que não é assim. No regulamento, o texto foi redigido por Michael Taylor, advogado da Monsanto que ingressou na FDA para fazer esse texto e logo depois foi vice-presidente da multinacional. Um exemplo muito claro de "porta giratória". Há muitos exemplos, em todo o mundo. A Monsanto fabricou o agente laranja, PCB e glifosato. E tem condenações por publicidade enganosa. Por que tem tão boa reputação? Por falta de trabalho sério dos jornalistas e a cumplicidade dos políticos. Em todo o mundo é assim.

Por que a Monsanto não fala?

Tentou chamá-los?

Sim, mas não aceitaram perguntas.

Também é assim em todo o mundo. Diante de qualquer jornalista crítico, a Monsanto tem uma só política: "sem comentários".

O que a Monsanto significa no mercado mundial de alimentos?

A meta da Monsanto é controlar a cadeia alimentar. Os transgênicos são um meio para essa meta. E as patentes uma forma de consegui-lo. A primeira etapa da "revolução verde" já ficou para trás, foi a de plantas de alto rendimento com utilização de pesticidas e a contaminação ambiental. Agora estamos na segunda etapa dessa "revolução", onde a chave é fazer valer as patentes sobre os alimentos. Isto não tem nada a ver com a idéia de alimentar o mundo, como foi publicado. A única finalidade é aumentar os lucros das grandes corporações. A Monsanto ganha em tudo. Ela vende o pacote tecnológico completo, sementes patenteadas e o herbicida obrigatório para essa semente. A Monsanto te faz firmar um contrato pelo qual te proíbe de conservar sementes e te obriga a comprar Roundup - não se pode utilizar um glifosato genérico. Neste modelo, a Monsanto ganha em tudo, e é tudo ao contrário da segurança alimentar. De passagem, recordemos que a soja transgênica que se cultiva aqui não é para alimentar os argentinos, é para alimentar os porcos europeus. E o que acontecerá na Argentina quando as carnes da Europa tiverem que ser etiquetadas, sendo que foram alimentadas com soja transgênica? Deixarão de comprar carnes desse tipo e a Argentina também receberá o golpe, porque terá reduzida a demanda de soja.

Qual é o papel da ciência no modelo de agronegócios, onde a Monsanto é sua cara mais famosa?

Antes pensava que quando um estudo era publicado em uma prestigiosa revista científica, se tratava de um trabalho sério. Mas não. As condições em que se publicam alguns estudos são tristes, com empresas como a Monsanto pressionando os diretores das revistas. No tema transgênico, fica muito claro que é quase impossível realizar estudos a respeito. Em muitas partes do mundo, os laboratórios de pesquisa são pagos por grandes empresas. E quando o assunto é sementes, transgênicos ou agroquímicos, a Monsanto sempre está presente e condiciona as investigações.

Os cientistas têm medo ou são cúmplices?

Ambas as coisas. O temor e a cumplicidade estão presentes nos laboratórios do mundo. No livro deixo claro que há cientistas, em todos os países, cuja única função é legitimar o trabalho da empresa.

Qual é o papel dos governos para que empresas como Monsanto avancem?

Os governos são os melhores propagandistas dos transgênicos. Realizam um trabalho de lobby incrível. A Monsanto leva seus estudos, sua informação, suas revistas e fotos, tudo muito lindo. E diz aos políticos que não haverá contaminação e salvará o mundo. E os políticos entram na dela. E também há pressões. Deputados franceses têm denunciado publicamente as pressões da Monsanto, até reconheceram que a companhia contatou cada um dos 500 deputados para que legislem segundo os interesses da empresa.

E o papel dos meios de comunicação?

Me dá muita pena porque sou jornalista e acredito no que fazemos, acredito que é uma profissão com um papel muito importante na democracia, mas há uma grande manipulação dos meios. Em tudo que se refere aos transgênicos, a imprensa não trabalha seriamente. Os meios olham a propaganda da Monsanto e a publicam sem questionamentos, como se fossem empregados da empresa. Também é público que a Monsanto convida os jornalistas para restaurantes, lhes dá regalias, viagens a Saint Louis (onde está sua sede central) e os jornalistas vão muito contentes, passeiam pelos laboratórios, não perguntam nada e vão embora. Assim funcionam os meios com a Monsanto. Também registrei casos nos quais a Monsanto busca, em cada meio de comunicação, um defensor. Estabelece contato com ele e consegue opiniões favoráveis. Não sei se há corrupção, mas sei que a Monsanto consegue seu objetivo.

>> Leia a entrevista completa

Fonte: Brasil de Fato

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valores Ensinando valores às crianças

Por Celia Lima

A palavra tem um impacto imediato no cotidiano das crianças. É a entonação que damos a ela que faz com que os pequenos percebam nossas intenções. O aprendizado de conceitos e valores se dá também através do que é observado, absorvido e vivenciado. Como os valores que aprendemos na infância são os que carregamos pela vida afora, é importante que os pais ou os responsáveis pela criança sejam influências positivas em seu cotidiano. Os pequenos são super antenados, flagram os adultos dizendo algo e tendo um comportamento incoerente com o discurso. Então, é necessário que palavra e atitude estejam em conformidade com a verdadeira intenção dos pais.

O "não" é o limite, é a palavra-conceito que estrutura a convivência em sociedade, que dá a noção de perigo, de reconhecimento de fronteiras. O "por favor" é quase mágico, abre caminhos e possibilidades de conquista. O "obrigado" ganha simpatia e deixa portas abertas e assim por diante. Mas a palavra sozinha pode perder seu valor quando é exaustivamente repetida e não tem a respectiva atitude que a valide, que a torne coerente.

O "não" gratuito, sem reflexão, num primeiro momento deixa a criança indignada porque ela simplesmente quer. Então a criança insiste, insiste, e muitas mães e pais acabam cedendo porque o "não" adveio muito mais do vício na palavra que proporciona "conforto" para os pais do que por um motivo realmente consistente. A criança logo percebe que basta choramingar para conseguir o que deseja, e assim o "não" perde seu sentido. Mais tarde a criança será taxada de desobediente e os pais não se darão conta de que eles mesmos a ensinaram a não dar importância a um pedido ou a um limite explícito.

De nada adianta ensinar a criança a pedir "por favor" quando solicita algo, se os pais não o fazem, mas "ordenam". A dizer "obrigado", se eles mesmos não reconhecem as gentilezas dos filhos, dizendo que não fizeram nada mais que a obrigação diante de uma atitude solidária dos pequenos. Ou pedir à criança que não grite quando ela observa seus pais gritando um com outro e assim por diante. Esses são exemplos clássicos de questões simples do cotidiano, mas que ilustram como a base do caráter é formada através de observação e repetição de comportamentos.

São inúmeras as oportunidades que os pais têm para mostrar a importância de desenvolver e cultivar valores como respeito, generosidade, gratidão, responsabilidade, solidariedade. E a maioria nem percebe as chances que perdem de ensinar seus filhos. Veja, então, como você pode aproveitar situações corriqueiras para solidificar esses valores:

- A partir dos três anos, peça permissão para verificar a mochila da escola ou avise que vai fazê-lo. Lembre de explicar o motivo: ver se tem roupas sujas, se há recados na agenda, por exemplo. Quando a criança for um pouco mais velha, passe a perguntar e peça que ela mesma mostre a agenda ou lhe dê as roupas para lavar. Isso fará com que naturalmente ela não mexa no que não é dela sem pedir permissão, lhe dará noções de respeito e limites, e fará com que ela entenda o que é seu e o que é do outro.

- Uma vez por ano, no dia das crianças e/ou Natal, por exemplo, peça que seu filho identifique os brinquedos que não usa mais e avise-o que enquanto ele faz esse "trabalho" você estará fazendo o mesmo com suas roupas. Deixe que ele vá com você num orfanato ou igreja para fazer a doação. Isso lhe dará um senso de realidade, aprenderá a repartir suas coisas e a não acumular o que não usa. É uma lição de desapego.

- Convide a criança a guardar os brinquedos e algumas vezes a ajude. Caso ela se recuse, guarde você mesmo num local inacessível e a ensine a olhar no calendário, estabelecendo uma data para que ela volte a poder brincar, três, cinco dias, por exemplo. Ela aprenderá que não se responsabilizar por suas coisas tem consequências que nem sempre são agradáveis. Mas é preciso que você seja firme, pois dessa forma ela também aprende a confiar em sua palavra.

- Ajudar a criança com suas pequenas tarefas a autoriza a pedir ajuda também. Por exemplo, colocar e retirar os pratos da mesa ou enxugar a louça. Isso desenvolve um senso de solidariedade, ela aprende que as tarefas são realizadas de forma mais rápida e eficiente quando feitas em conjunto.

- Procure não esquecer de agradecer ou de manifestar sua alegria não apenas por suas solicitações atendidas, como também pelos gestos de carinho e atenção que crianças que estejam sob sua responsabilidade demonstram nas pequenas atitudes. Elas aprenderão a importância do reconhecimento e da gratidão e também se manifestarão quando as pessoas forem generosas com elas.

- Conte ou leia histórias, contos de fadas, estimule comentários e impressões a respeito dos personagens e suas ações. Use a historinha para estabelecer paralelos com as situações do cotidiano. Existem livros que têm como meta o desenvolvimento emocional das crianças.

- Se você puder, tenha um animal de estimação. A amizade entre crianças e bichinhos promove um inestimável aprendizado com relação a aceitar as diferenças e desenvolverá nela sentimentos de compaixão, respeito e amor incondicional. Divida com ela os cuidados com o animal, como troca de água, oferta de alimento e banho, por exemplo. Isso lhe dará noções de compromisso com uma vida.

Para saber mais: O livro das virtudes para crianças, organizado por William J. Bennett. Editora Nova Fronteira, 112 páginas

Celia Lima é psicoterapeuta holística, utiliza os florais e técnicas da psicossíntese como apoio ao processo terapêutico. Presta atendimento individual e em grupos, para família e casais.

Fonte: Revista Personare

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linhaca Linhaça é super

Por Regina Pereira

Contam os arqueólogos que a linhaça era usada em mumificações no Egito. Outros achados apontam que era empregada com sucesso para tratar ferimentos. E, se antigamente fazia parte até mesmo de rituais, hoje ela marca presença nos laboratórios de grandes centros de pesquisa em nutrição. Na Universidade de Toronto, no Canadá, por exemplo, a cientista Lilian Thompson comprovou que a semente é capaz de barrar a metástase em pacientes com câncer de mama ou seja, a linhaça evitou que o tumor se espalhasse e tomasse conta do organismo. Esse excelente resultado foi apresentado no 6° Simpósio Latino-Americano de Ciência de Alimentos, que aconteceu no mês passado na Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Segundo a pesquisadora canadense, "trabalhos realizados em várias universidades mostram que a semente é capaz de diminuir o risco de outros tumores, como o de cólon e o de próstata". Somem-se essas boas notícias ao fato de a linhaça ajudar a controlar os níveis de colesterol.

Aqui no Brasil, mais precisamente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a equipe do Departamento de Nutrição também anda analisando a linhaça. O enfoque, entretanto, é outro. "Investigamos a segurança no consumo", conta a nutricionista Ana Vládia Bandeira Moreira. Explica-se: embora contenha substâncias capazes de prevenir doenças letais, o que faz dela um alimento funcional de primeira grandeza, a linhaça carrega compostos que poderiam interferir na absorção de nutrientes. Por enquanto, o que se sabe é que o aquecimento da semente neutraliza esse inconveniente. Isso porque, segundo Ana Vládia, o calor diminui a atividade de algumas proteínas suspeitas de atrapalhar o aproveitamento de sais minerais. A sugestão é deixar a linhaça no forno baixo por 15 minutos. "Claro que, se ela for usada na preparação de receitas assadas, como pães ou biscoitos, não precisará disso", diz a pesquisadora.

Outra dica para aproveitar ao máximo a semente é deixar uma colher da semente de molho em um copo de água durante a noite e, pela manhã, triturá-la no liquidificador junto com o gel que será liberado. "É que a casca, bastante resistente, pode passar intacta pelo aparelho digestivo", justifica a farmacêutica bioquímica Rejane Neves-Souza, professora de nutrição da Universidade do Norte do Paraná. E aí as substâncias benéficas ficam impedidas de sair. "Mas tem que bater e comer logo, porque a linhaça é muito suscetível à oxidação", ensina o bioquímico Jorge Mancini Filho, da Universidade de São Paulo.

Afinal, o que faz da linhaça um superalimento?

"Sua casca guarda um mix de proteínas, minerais e vitaminas", responde o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia. Vale destacar a vitamina E, que contribui para o funcionamento celular e, por isso, afasta o envelhecimento precoce e as doenças degenerativas.

Outros ingredientes que compõem sua poderosa fórmula são o ômega-3 e o ômega- 6, em quantidade maior do que a encontrada em peixes de água fria. A linhaça tem 60% de ômega 3, enquanto o óleo de salmão tem apenas 30%. Esses dois ácidos graxos garantem a saúde cardiovascular. Afinal, ambos atuam na redução do LDL, o mau colesterol, responsável por estragos nas artérias. "Diversos trabalhos apontam a semente do linho como protetora do coração", reforça Jocelem Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais e professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, interior paulista.

Entretanto, o que torna a linhaça ímpar atende pelo nome de lignana, substância que começa a sair do anonimato. Não é para menos. Ela praticamente faz as vezes do estrógeno. "Ao se ligar a receptores celulares, a lignana funciona como um falso hormônio", justifica a farmacêutica bioquímica Rejane Neves- Souza. É o que os especialistas chamam de fitoestrógeno. Aliás, foi justamente esse componente o mais mencionado nos trabalhos da canadense Lilian Thompson.

Segundo a pesquisadora, estudos com grande número de pacientes mostram a relação entre a lignana e a redução dos tumores de mama. Esse composto comprovadamente atua na apoptose celular, um mecanismo de defesa que provoca o suicídio das células defeituosas. O incrível é que, no caso do câncer, esse programa de autodestruição simplesmente não costuma funcionar. Mas a lignana topa a parada e ativa a contagem regressiva para a célula doente se explodir. E olha que nem os grandes centros de pesquisa conseguiram desenvolver a contento drogas com essa capacidade. "Observamos esse efeito em 39 pacientes", afirma Lilian, que as orientou a consumir 25 gramas de linhaça por dia durante pouco mais de um mês.

Os cientistas só não chegaram ainda a uma conclusão sobre a quantidade ideal de consumo. "Estamos em busca dessa resposta", afirma a nutricionista Ana Vládia. Quem dá bem a medida da indefinição é a farmacêutica bioquímica Rejane Neves. Ela conta que já viu sugestões de porções as mais variadas: de 25 gramas (1 colher de sopa bem cheia) até 45 gramas (quase 2 colheres) por dia. E comenta que alcançar esta última indicação é bem mais difícil. "A inclusão da semente no dia-a-dia deve ser gradativa".

>> A linhaça contribui também para a beleza da pele

>> Aprenda a fazer gel de linhaça, que deixa os cabelos mais bonitos

Fonte: Revista Saúde


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Ler é 10 BELO EXEMPLO

Vale mais que um trocado


Por Rodrigo Ratier

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas da Revista Nova Escola: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações. Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* Os nomes foram trocados para preservar os personagens.

Fonte: Revista Nova Escola


Agenda
Cultura

Mostra do Filme Livre 8ª Mostra do Filme Livre

Focada em filmes realizados sem recursos públicos, a Mostra do Filme Livre é o principal evento nacional para a difusão da produção independente, exibindo obras experimentais que fujam da narrativa tradicional, feitas em todos os formatos e realizadas em qualquer época.

Os homenageados em 2009 são o artista multimídia Sergio Ricardo e a produtora independente Canibal Filmes, de Santa Catarina. A MFL também fará debates e sessões comentadas, além de diversas sessões infantis aos sábados e domingos às 12h. Todas as exibições são gratuitas.

Data: até 26 de abril
Local: Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66 - Rio de Janeiro (RJ)

Informações: (21) 3808-2020 | (21) 25397016 | www.mostradofilmelivre.com | contato@mostradofilmelivre.com

>> Confira a programação

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Curso

Instituto Aqualung Técnicas de Manejo e Conservação de Espécies

O Instituto Ecológico Aqualung realiza nos dias 27 e 28 de abril o Curso de Técnicas de Manejo e Conservação de Espécies, voltado para para profissionais de meio ambiente em geral.

O curso tem por objetivo formar e capacitar profissionais especializados para atuar nas diversas áreas da conservação da fauna silvestre, elaborar e desenvolver projetos de pesquisa relacionados com o manejo e conservação, desenvolver protocolos experimentais, metodologias de trabalho e consultorias ambientais, além de realizar o manejo de espécies silvestres de acordo com a legislação vigente.

Professora: Roberta Miranda de Araújo - Bióloga (UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense), Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UENF) e Especialista em Educação para Gestão Ambiental (CEFET/Campos). Possui cinco anos de experiência em projetos de manejo e conservação de espécies.

Data: 27 e 28 de abril
Horário: 8h30min às 17h20min
Local: Instituto Ecológico Aqualung - Rua do Russel, 300/401 - Glória - Rio de Janeiro (RJ)
Investimento:R$ 320,00 (R$ 70,00 de inscrição + 2 parcelas de R$ 125,00)


Informações: (21) 2558-3428 | (21) 2558-3429 | instaqua@uol.com.br | www.institutoaqualung.com.br

>> Faça sua inscrição
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Palestra

Vibração Positiva Imunidade Emocional: uma contribuição das flores

O próximo encontro do Projeto Vibração Positiva acontecerá no dia 26 de abril, com a terapeuta floral Cristina Aragão, que falará sobre "Imunidade Emocional: uma contribuição das flores". A palestrante abordará a aplicação da terapia floral no reforço imunológico.

Cristina Aragão é terapeuta floral formada em 1995 pelo Grupo Terra Brasilis, um grupo de vanguarda de Recife que inaugurou os estudos de medicina vibracional no estado de Pernambuco. Cristina também é arquiteta formada pela UFPE(1981), astróloga de linha tradicional com formação na Academia Castor e Pólux (1991) e escritora de livros de poesia para crianças.

As palestras do Projeto Vibração Positiva acontecem na Comunidade Espiritual Unindo Corações (CEUC). O local é amplo, confortável e com capacidade para até 150 pessoas. Localizado no bairro do Humaitá, próximo ao Corpo de Bombeiros, o acesso à CEUC é fácil, graças às diversas linhas de ônibus que atendem a região: 157, 158, 170, 172, 173, 176, 179, 409, 410, 438, 504, 511, 521, 522, 524, 571, 573, 583 e 592.


Data: 26 de abril, domingo
Horário: 17h
Local: Comunidade Espiritual Unindo Corações (CEUC)
Rua Maria Eugênia, 303 - Humaitá, Rio de Janeiro (RJ)


Informações: (21) 3238-5190 | 9899-9347 | vibracaopositiva@essenciavital.org.br

>> Saiba mais sobre o Projeto Vibração Positiva
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Gastronomia

Delírio Tropical Sábado é dia de Delírio Tropical

A rede Delírio Tropical, que possui oito restaurantes no Rio de Janeiro, tem, além de um ambiente agradável, um cardápio especial aos sábados: pratos vegetarianos saborosos e com ótimos preços.

O vegburguer, o arroz negro integral com ameixas, alcaparras e azeite; as quiches de queijo e shimeji e a bruscheta de ciabatta, mussarela de búfala e tomate fresco são ótimas pedidas. Além destas delícias, o restaurante oferece saladas multifolhas deliciosas e o que é melhor: orgânicas. A rede implantou em Teresópolis uma lavoura própria de hortaliças cultivadas com adubo orgânico e sem agrotóxicos. Para arrematar, que tal um delicioso e macio bolo de chocolate com calda? Imperdível!

>> Confira no site o cardápio e o endereço das lojas
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Agenda
Suco de Uva Orgânico

Suco de uva orgânico Produzido pela família Chilanti, na Serra Gaúcha, adepta da agroecologia, este suco de uva orgânico é indicado por seu alto valor medicinal, rico em substâncias imunonutritivas, uma verdadeira panacéia de efeitos terapêuticos junto ao organismo e psiquismo humano. As uvas orgânicas possuem uma quantidade enorme de flavanóides, poderosos antioxidantes.

O suco de uva orgânico, geralmente caro e de difícil acesso, está agora ao seu alcance por um valor menor do que o praticado pelo mercado, graças a um convênio estabelecido entre a ONG Essência Vital e a família Chilanti.

Confira a tabela de preços:

1 litro: R$ 8,00 para soropositivos sócios da Essência Vital.
Caixa com 12 litros: R$ 96,00

1 litro: R$ 8,50 para sócios que não são soropositivos.
Caixa com 12 litros: R$ 102,00

1 litro: R$ 9,00 para soropositivos que não são sócios.
Caixa com 12 litros: R$ 108,00

1 litro: R$ 10,00 para pessoas não soropositivas, nem sócias.
Caixa com 12 litros: R$ 120,00
Para encomendar o suco de uva orgânico, ligue para (21) 3238-5190 ou 9899-9347.


>> Saiba mais sobre o suco de uva orgânico
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DVDs do Projeto Vibração Positiva

Prof. Hermógenes Todos os encontros do Projeto Vibração Positiva são gravados em DVD. São dezenas de palestras sobre alimentação, saúde, terapias naturais e qualidade de vida, para que as valiosas informações compartilhadas pelos profissionais de saúde convidados possam chegar ao maior número possível de pessoas.

Confira a resenha desta edição:


Yogaterapia - saúde plena e caminho para Deus
Professor Hermógenes


Neste encontro do Projeto Vibração Positiva, professor Hermógenes conta como passou de capitão do Exército, condenado à morte devido a uma tuberculose, a mestre de yoga - arte que aprendeu em livros estrangeiros. E ao dividir conosco sua experiência, compartilhou ensinamentos de valor inestimável.

Professor Hermógenes afirma que, com o yoga, apreendeu a idéia de que nasceu
para percorrer um caminho contínuo de reduzir a distância até Deus: "yoga significa união. Todos os nossos sofrimentos e limitações decorrem do fato de pensarmos que Deus está longe de nós. Precisamos acreditar que Ele é nossa essência, a substância que nos faz vivo, assim como as ondas fazem parte do mar".

Segundo ele, podemos manter a saúde e nos curar sem usar medicamentos. Para isso, basta respirar, caminhar, manter um estado de alegria. "O grande caminho terapêutico é o amor. Aprendi que a saúde tem a ver com o perdão. Sanidade é amar, prestar serviço, viver para a paz e a não-violência".

O mestre conta, em sua palestra, que tomou conhecimento da cura de várias doenças a partir do yoga. A mais surpreendente foi a cura de uma doença holística, cuja história foi exibida durante o encontro no filme "Do Lodo ao Lótus". Gusson, o protagonista do filme, era um marginal que aprendeu Yoga sozinho na cadeia. "Agora ele merece toda a confiança. Hoje é empresário e está firme no caminho de Deus", afirmou professor Hermógenes.

Valor: R$ 15,00

Para adquirir os DVDs, ligue:
(21) 3238-5190 | (21) 3678-4020 | (21) 9899-9347
Ou escreva para vibracaopositiva@essenciavital.org.br


>> Conheça outros DVDs do Projeto Vibração Positiva
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Indicação de Leitura

Autobiografia de um Iogue Autobiografia de um Iogue

Paramahansa Yogananda
Editora Sextante
563 páginas

Uma das mais proeminentes personalidades do cenário espiritual do século XX, Paramahansa Yogananda já conquistou legiões de seguidores desde que lançou Autobiografia de um Iogue, em 1946. Traduzido para 18 idiomas e reeditado continuamente, o livro se tornou uma obra fundamental sobre os princípios da meditação, do yoga e das doutrinas orientais.

Mesmo depois da morte do autor, em 1952, suas idéias continuaram se manifestando nas diversas áreas de conhecimento e atuação humanas, como educação, psicologia, medicina, administração e muitas outras, dando uma valiosa contribuição para a construção de valores éticos na vida das pessoas em geral.

Com franqueza, eloqüência e humor refinado, Paramahansa narra algumas passagens inspiradoras de sua vida, como sua infância na Índia, os anos no eremitério, suas experiências na América e seus encontros com grandes mestres, como Mahatma Gandhi, Rabindranath Tagore, Luther Burbank e Theresa Neumann.

Explicando as leis espirituais sutis, mas bem definidas, que estão por trás do "poder" dos iogues, Paramahansa faz de seu relato um pano de fundo para explorar os profundos mistérios da existência e revelar os traços comuns entre as grandes religiões do oriente e do ocidente.


>> Saiba mais sobre o livro no site da Editora Sextante
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